quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sherlock Holmes

Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia ser-lhe útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade”.

Sir Arthur Conan Doyle


Devo confessar que pude sanar, no mês de julho, uma deficiência de minha formação literária que deveria ter sido preenchida na adolescência. Certamente, as duas bibliotecas da pequena cidade de Santa Maria de Itabira onde cresci e estudei não continham os títulos deste autor consagrado desde o século XIX, já que li praticamente todos os livros da biblioteca pública local, que funcionava na Prefeitura, e da escola onde estudei e nunca me deparei com nenhum livro de Arthur Conan Doyle.

Sempre ouvi falar do detetive Sherlok Holmes por terceiros. Muitas vezes em tom de anedota. Logo eu, que enveredei pelos caminhos da investigação e da pesquisa nunca tinha lido Arthur Conan Doyle. Como dizem por aí, nunca é tarde. Foi num domingo que assistimos ao filme Sherlock Holmes, do diretor Guy Ritchie, por insistência do meu marido. Fui ver com má vontade, pois não é novidade que tenho preferência pelos filmes franceses e de 'arte’. Adorei o filme e como ele tinha em casa alguns livros de Conan Doyle separei-os para ler. No dia seguinte ao que vi o filme, viajei a trabalho para Lavras e no caminho entre Belo Horizonte e Lavras li “Um estudo em vermelho” sem praticamente respirar. Quando o ônibus chegou ao trevo de Lavras fechei o livro, tinha terminado a leitura. O que foi péssimo, porque tinha levado apenas este livro e fiquei sem ter o que ler a noite e no retorno.

Apesar de tardiamente, o que importa é que estou morrendo de amores por Arthur Conan Doyle, seu personagem mais famoso, o detetive Sherlock Holmes, e seu fiel escudeiro Watson. Já li várias histórias e estou na última do último livro que temos em casa e estou como criança guardando o último pedaço de doce.

Sir Arthur Ignatius Conan Doyle, nasceu em Edimburgo, no dia 22 de Maio de 1859 e faleceu em Crowborough, em 7 de Julho de 1930. Era médico e dedicou sua vida à medicina e escrita.

A sua primeira obra notável foi Um Estudo em Vermelho, publicada no Beeton’s Christmas Annual de 1887. Esta foi a primeira vez em que o personagem Sherlock Holmes apareceu. Holmes teria sido parcialmente baseado no professor de Conan Doyle de sua época na universidade, Joseph Bell, a quem Conan Doyle escreveu: "É mais do que certo que é a você a quem eu devo Sherlock Holmes… Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que ouvi você inculcar, tentei construir um homem".

Em 1902 Arthur Conan Doyle foi nomeado cavaleiro pela sua participação na Guerra Boer. Trabalhou na linha de frente da batalha como cirurgião, e foi elogiado pelos compatriotas pela coragem e determinação na prestação de socorro. Regressando à Inglaterra escreveu um livro escolar com o título "A Grande Guerra Boer". Ele foi condecorado com o título de Cavaleiro e por isto o “Sir” antes do seu nome.

A fotografia acima é de Arthur Conan Doyle e o fragmento citado está no livro “Um estudo em vermelho”.

Um comentário:

carina gomes disse...

Oi, Cris,
Tdo bem? Nossa, qto tempo...
Esse seu blog é uma aula de coisas legais mesmo, fico só aprendendo...
Adorei a comparação do cérebro humano com um sótão vazio, como é importante escolher o q colocamos nele.
Bjocas!