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"Pernambuco dos muitos “Silva”, da arte de Mestre Vitalino e dos artesãos de Tracunhaém. Pernambuco de folias, maracatus, sabores e santidades. Pernambuco do Sertão do Rio São Francisco, da caatinga, onde os sonhos vão até as cercas de cactos que rodeiam as criações e Pernambuco que é puro mar e Carnaval. Há sempre esta dualidade no Estado que começa no mar e vai dar no sertão, nas barras do Rio São Francisco."
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"A força do homem sertanejo – nascido nos rincões esquecidos deste país, criado sob um sol tão quente que amolece o corpo e o espírito no meio do dia, mas que vai abrandando embalado pelo vento dos finais de tarde quando o sol desce feito bola de fogo e esparrama sua luz dourada na terra ressequida prometendo um novo dia, quem sabe de esperança – aparece na fala do Seu Narciso: “Eu sou filho de um casal de gente muito humilde, não tinha bravura nenhuma. Não era aquele povo mais doce que um saco de açúcar não, mas não tinha bravura, e eu tinha essa bravura por dentro de mim e me fazia ficar entusiasmado. Quando eu tava concluindo um serviço, eu pensava que já era terminando uma etapa para começar outra”.
A bravura do Nordestino presente nas histórias de vida sofridas dos Artífices, onde o universo masculino se sobrepõe ao feminino pela dureza do trabalho nos deixa entrever uma vida não menos sofrida para as esposas que esperam e cuidam sozinhas da prole enquanto seus homens se deslocam de uma cidade a outra onde há trabalho e meio de subsistência. Nas longas noites de silêncio para os maridos longe de casa depois de um dia de trabalho pesado, onde relações hierárquicas dentro das obras impõem um clima tenso de conflito constante, somando-se a isto baixos salários que os obrigam a permanecer na pobreza em que viveram seus pais, converte-se em clima propício para muitos se perderem no alcoolismo."
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"É noite ainda e um grupo de homens e mulheres caminha pela estrada poeirenta da localidade denominada Sítio Mulungu, na região rural da cidade de Bezerros,



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