Minha mãe foi diagnosticada tardiamente como portadora de Transtorno Bipolar. Digo tardiamente porque durante toda a vida ela apresentou comportamentos que poderiam ser encaixados nos chamados TAB – Transtorno Afetivo Bipolar; ou Transtorno Bipolar do Humor; ou ainda Psicose Maníaco-Depressiva, entre outros tantos nomes para a mesma doença, sem nunca ter um diagnóstico definido.
A minha última semana em Pernambuco foi complicada, com minhas irmãs ligando o tempo todo dizendo que minha mãe estava novamente em crise – e eu sei bem o que acontece quando ela entra
Nas duas últimas semanas, na maior parte do tempo, fomos nós duas sozinhas dentro de casa. Ela em mais um surto e eu tentando ajudá-la a sair dele de alguma forma – como um náufrago tentando se segurar a qualquer objeto firme em meio ao mar bravio. Ela tinha parado de tomar os remédios por conta própria e o psiquiatra que a levamos trocou todos os medicamentos. Então, além do surto foram semanas de adaptação aos novos remédios e de abstinência do Diazepan que ela tomava há anos.
Não vi o carnaval passar. Soube de flashs pela internet, já que a televisão instalamos no quarto em que ela ficou acomodada. Foram semanas em que não fez diferença se era terça ou sábado, se era 03:00 da manhã ou 14:30 da tarde. As crises não obedecem horários e nem lugares.
Tive tempo de sobra para ler sobre o Transtorno Bipolar e soube de muitas outras pessoas da minha convivência que também têm a mesma doença e que eu sabia apenas que eram “depressivos” ou os julgava com preconceito achando-os preguiçosos ou desanimados. Compreendi como o bipolar é solitário. O seu comportamento ora agressivo, ora eufórico, ora egocêntrico, ora deprimido afasta as outras pessoas. As pessoas desistem de ser amigos de bipolares, elas podem até tentar por certo tempo, mas depois se cansam, porque quem tem o distúrbio não muda (claro que há exceções, estou apenas me referindo à maioria). Familiares também se cansam e vão embora. Bipolares, em grande parte dos casos, são consideradas deprimidas, chatas, inconvenientes, egoístas, preguiçosas e muitos outros adjetivos pejorativos. Todos estes sintomas são intercalados com períodos de “normalidade” em que a pessoa tem um convívio social saudável.
Quando meu pai saiu de casa há quatro anos, ele já tinha ido embora muitos anos antes, formado outra família, feito filhos. Nestas semanas eu compreendi um pouco também a solidão e o sofrimento do meu pai – apesar de nada justificar a traição dele, obviamente. Não é fácil conviver com um bipolar. Não há paz ao lado de um bipolar. Entendi as inúmeras brigas que acompanhei a infância inteira e parte da adolescência (quando fui eu a sair de casa e procurar outro rumo para minha vida). De todas as pessoas próximas que eu soube nestes dias que eram portadoras do transtorno bipolar apenas uma ainda é casada. As outras são separadas. Curiosamente, conheço quatro mulheres e um homem com o transtorno. Destes, todas as quatro mulheres são separadas, apenas o homem ainda é casado e tem o apoio, o amor e a paciência da esposa que descobriu a doença depois do casamento. Simbólico, não?!
Quem convive com um bipolar também é solitário, mas nada que se compare à angústia e solidão do próprio bipolar. Para conviver com um bipolar – eu mesma não sei bem a receita – além de amor é preciso ter uma dose extra de paciência e bastante bom senso, caso contrário você é levado a reagir com agressividade, euforia, irritação, como a pessoa que o está provocando. Nas fases de surto o bipolar pode ter delírios psicóticos – minha mãe teve na penúltima crise e também agora em menor proporção. O mais complicado é você se manter sereno e tentar convencer o doente que o que ele vê e sente são frutos da sua imaginação e não está acontecendo de verdade, porque para ele é real.
Quando entra em crise, o bipolar desenvolve manias e repete o mesmo assunto à exaustão. Não há santo que agüente ouvir a mesma história 300 vezes num mesmo dia, tinham momentos em que eu pensava que ia ficar maluca ou que talvez ela tivesse razão e eu fosse a surtada. Nestes dias me veio o pensamento de que psiquiatras devem ser meio-humanos meio-santos. Devem ter um bocado da paciência dos céus misturada à sua porção humana, só assim se explica a escolha pela profissão. Para cuidar de um bipolar é preciso não ser complacente, mas também não muito exigente. Saber ser paciente, mas não manipulável. É preciso ter muita tranqüilidade e calma, mas também ser enérgico e firme.
As pessoas dizem o tempo todo sobre a doença da minha mãe: “Ela precisa reagir, precisa reagir, não se entregar”. Mas eu fico pensando o que é reagir? Um diabético reage à doença comendo mais açúcar? Um aidético reage à doença fingindo que ela não existe? Como um bipolar pode reagir à doença? O único caminho que conheço, na minha máxima ignorância, é tomar a medicação, mas posso estar equivocada e haver um caminho dentro do cérebro para o bipolar encontrar uma porta e viver ‘normalmente’ como a maioria dos seres humanos do planeta. Penso que é muito difícil isto acontecer, porque mesmo medicado o bipolar não está ‘curado’ da doença. Altos e baixos vão acontecer. Comportamentos considerados antissociais não vão desaparecer.
Há o caso famoso do matemático John Nash, imortalizado pelo filme “Uma mente brilhante”, que conseguiu encontrar uma fuga para a esquizofrenia, driblar o seu próprio cérebro e ter uma vida magnífica. Em 1994 John Nash recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas, por sua análise básica de equilíbrio na teoria dos jogos não-cooperativos. Tudo bem, bipolaridade não é esquizofrenia, mas é um exemplo de alguém que conseguiu dominar o próprio cérebro doente.
Soube, pelas minhas pesquisas nestas duas últimas semanas, que várias pessoas famosas, incluindo escritores eram bipolares. Entre elas: Sigmund Freud, o ator Robin Williams, Virginia Woolf, Honore de Balzac, Ernest Hemingway, Charles Dickens, Leon Tolstoy, Tennessee Williams, Emile Zola, Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Victor Hugo, Wolfgang Amadeus Mozart, Michelangelo, Vincent van Gogh, Francis Ford Coppola e mais uma lista imensa que inclui ex-presidentes americanos e até Napoleão Bonaparte! Acho difícil ser verdade que alguém tenha conseguido diagnosticar Michelangelo como bipolar em pleno século XV. Talvez alguns tenham sido “interpretados” como bipolares por serem considerados excêntricos. O Transtorno Bipolar foi estudado e publicado pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin no final do século XIX, assim, acredito em diagnósticos feitos durante o século XX. Não é possível atribuir o distúrbio bipolar a Napoleão Bonaparte, por exemplo, que viveu muitas décadas antes da publicação dos tratados de Kraepelin. É uma questão de lógica.
Fato é que a bipolaridade não é uma doença incomum, ao contrário. E, também, que um bipolar pode ter uma vida brilhante caso consiga conviver com a doença. Existem, ainda, diversas intensidades da doença. De tudo que li e pelos estudos da minha irmã que está se formando em Enfermagem, parece-nos mais adequado dizer que minha mãe tem Ciclotimia, que seria uma apresentação mais moderada da doença. Como doenças mentais não aparecem em ressonâncias magnéticas e exames de sangue, todo diagnóstico é apenas uma suposição ou, antes, uma aproximação do que de fato acontece.
Há que se comentar ainda o fato dela ter parado com os remédios. Não é incomum uma pessoa portadora deste distúrbio parar com a medicação, acontece em muitos casos. Os efeitos colaterais da carbamazepina ou da oxcarbazepina são agressivos ao organismo. Os medicamentos engordam ou fazem emagrecer, o paciente dorme muito e fica letárgico principalmente no período da manhã e às vezes agitado demais. Em duas semanas vi minha mãe engordar vários quilos e, depois, emagrecer rapidamente com a mudança de medicação. O corpo vira uma sanfona, assim como os estados emocionais. Contudo, o paciente precisa entender que não pode parar ou mudar a medicação sem consentimento médico. É um sofrimento que ele causa a si próprio e às pessoas que convivem com ele. Os remédios demoram três semanas para fazer efeito, então, a cada vez que o paciente pára com a medicação serão três semanas para o organismo se adaptar novamente a ela.
Escrever este texto é me expor muito mais do que faço normalmente aqui no blog, mas eu quis escrevê-lo porque durante todo este tempo minha solidão foi imensa e eu me refugiei em outros textos encontrados na internet. Há vários blogs de pessoas bipolares e de familiares que convivem com bipolares. Ler estes textos me confortou e, acima de tudo, me ajudou a entender a doença da minha mãe. Era como se alguém invisível do outro lado da tela, à 01:00 hora da manhã em plena segunda-feira de Carnaval, dissesse: “Ei, você não está sozinha, há uma multidão anônima tão perdida quanto você”. Este é o motivo de eu contar sobre a doença da minha mãe e descrever um pouco de minhas angústias convivendo ao lado dela, não apenas nas duas últimas semanas, mas durante uma vida inteira.
À revelia de tudo isto, a vida continua. Vamos à próxima página porque eu tenho que preparar uma mudança de casa – e de vida – para Campinas neste início de março, mas antes preciso encontrar um lugar para morar, of course.


19 comentários:
Parabéns pela coragem em expor assunto tão delicado e tão íntimo. Que Deus ilumine a sua vida e traga muita luz para enfrentar os momentos de escuridão.
Sou de Campinas.Talvez eu possa ajuda-la.Meu e-mail é lilica_890@hotmail.com
Cris, "engraçado" que pensei em vc várias vezes na semana passada, um pensamento insistente, sabe? Mas como eu não tinha notícias suas, fiz o que é mais costumeiro pra mim: orei.
Espero que as coisas caminhem com mais calma daqui pra frente. Tô na torcida.
Bjosss =**
Quando puder conheça o blog http://bipolarbrasil.blogspot.com
(Acho que posso ajudá-la a compreender melhor o assunto, compartilhando minha experiência).
Boa sorte!
Will
Nem consigo imaginar como você passou pelo Carnaval! Muita paciência e paz para você e que tudo melhore para sua mãe!
Beijo!
As ajudas pessoais são validas, mas doença se trata com remédio.
Falta lítio no cérebro de sua mãe e ele precisa ser recomposto, para que ela volte a normalidade.
O maior problema no tratamento, é ela realizar o uso adequado e rotineiro dos remédios.
Uma opção seria o psiquiatra aplicar uma injeção mensal, caso exista essa possibilidade.
Milton
As ajudas pessoais são validas, mas doença se trata com remédio.
Falta lítio no cérebro de sua mãe e ele precisa ser recomposto, para que ela volte a normalidade.
O maior problema no tratamento, é ela realizar o uso adequado e rotineiro dos remédios.
Uma opção seria o psiquiatra aplicar uma injeção mensal, caso exista essa possibilidade.
Milton
Oi, Cris
Nossa, lágrimas rolaram aqui sabendo tanto sobre vc. Pois é, a gente tenta não ser pessoal demais no blog, qdo na verdade isso é quase impossível pq somos nós aqui do outro lado da tela, de carne e osso e com tantas dificuldades para administrar.
Admirável sua coragem de ser tão vc, tanta vida de verdade contada em palavras tão bonitas e a surpresa de encontrar tantas vozes solidárias em pleno carnaval. É isso, na hora que a gente fala os outros falam também, e quem não tem dores profundas?
Tenho passado momentos de extrema angústia com minha vó q sofre de demência senil, fui pro Brasil ficar com ela, mas agora tive q voltar. Ela é uma mãe, sempre me ajudou demais, e agora sinto culpa, tristeza e muita dor por estar vivendo tão longe.
É, percausos da vida! Mas espero q vc tenha força e sabedoria p lidar com tudo isso. Vc é um amor!
Bjocas
José
A bipolaridade não é um mal tão intenso, mas exige aprendizagem. Primeiro o paciente precisa aceitar a doença, e essa é a fase e a decisão mais difícil. Depois de aceitar os medicamentos, precisa aprender a ler em si mesmo os sintomas, aquilo que sempre ocorre antes de uma crise e aprender a abortá-los, antes que se instalem, usando a medicação que usaria em situação de crise, mas em doses bem menores. Aprendendo essas coisas, a vida fica fácil e o distúrbio bipolar pode ser controlado.
Saúde e felicidade a todos.
Bom amiga eu sou uma bipolar e sei bem o que vc esta passando com sua mae mas posso te dizer por experiencia propria que fazendo o tratamento direitinho pode se levar uma vida normal.Eu trabalho cuido do meu filho e do meu marido e acima de tudo tenho muita fé em Deus.que Deus abençoe vc e sua mãe bjss.Eva.
Sem querer entrei em suas paginas , querendo uma resposta pelo meu comportamento inadequedo, solidão, me sinto constrangida quando fico repetindo as mesmas coisas, e quando percebo ou alguem comenta , fico mal. me acho anormalpois é o que sou, só peço a Deus que isso termine logo.mas agradeço pelas suas palavras, foram um pouco de alivio para minha alma!
Assim como você mencionou, numa madrugada qualquer, alguém se identificaria. Cá estou, procurando relatos de uma vivência em comum. Minha mãe também é bipolar e está num período de enorme crise. Obrigada pelas honestas palavras. um abraço.
Cris é com muito respeito e não por coincidência, pq nãoacrdito nelas q encontrei seu blog. Sou bipolar e hj estou lutando contra uma crise daquelas q teima em chegar.Este espaço é pequeno prá td que tenho prá dizer, mas em síntese é o seguinte.Lamento por vc e por todos aqueles q precisa viver ao lado de um bipolar. Mas lamento ainda mais por nós portadores deste distúrbio tão devastador, q nos obriga a viver constantemente numa montanha russa.
Não queremos ser assim, não pedimos isso, mas com o passar dos anos descobrimos q é genético e nada podemos fazer a respeito. Sou mãe de 3 filhos homens já crescidos e se meu diagnóstico tivesse sido feito qdo jovem , n teria tido meus filhos. Um bipolar possuí um organismo q envelhece uma década antes da sua idade cronológica, imagina eu tenho 46a, mas meu corpo não por fora, mas por dentro tem 56a.Nossa chama se queima mais rápido do q de uma pessoa dita "normal", há 4 meses mandei meu marido embora, n é pai dos meus filhos, por achar injusto vê-lo passar por tanta desventura. Errei, pq até hj é o único q entende, compreende e sabe lidar com minha doença.Meus filhos só se interessam por mim, qdo eu estou boa e apta a servir, caso contrário me deixam sozinha lançada a própria sorte. Hj decedi q vou embora,pq minhas tentativas de suícidio q nada são além de parar com um congestionamento desatroso dentro da minha mente q reflete no meu organismo, seria um ato de covardia diante da vida. Concluindo os rémedios q nos estabilizam são os mesmos q nos matam. Sinceramente qdo não conseguimos ser entendidos, compreendidos e amados com nossos defeitos, fazemos o q ? Um abraço prá vc e muita luz e coragem prá sua mãe, que sem dúvida é uma guerreira. Patricia.g.coelho@hotmail.com
Oi ! Estou no trabalho, e aqui não posso acionar o e-mail para me identificar, posteriormente farei isso. Sou filha de bipolar também ! Admiro sua coragem e simplesmente odeio tudo isso ! Acredito que minha mãe se livrará do meu pai, em breve, se Deus quiser ! Toda a família paga por isso, por conta de um ...
Olá, sou bipolar diagnosticada ha 2 anos depois de 8 anos de busca sem nenhum resultado. Não acredito na estabilidade total e nem acredito q um dia poderei ficar totalmente bem, já passei por diversos medicamentos, com efeitos colaterais terriveis que só fazem pior as criser (queda de cabelo, perda de peso, ganho de peso, letargia, irritabilidade, etc). Não acho que poderei levar uma vida normal. Ha 1 ano meu marido contratou uma babá/enfermeira para minhas filhas, da minha família pra suportar minhas crises e me vigiar. Como posso acreditar em vida normal? Espero que ele possa sobreviver a tanta angústia. Lute e ame sua mãe, um dia a recompensa virá para você, pode ter certeza.
Abraços
Sou casado com uma bipolar e realmente é extremamente complicado conviver com pessoas com esse problema. Muitos me ironizam dizendo que irei pro céu de foguete e sem fazer curva. E para piorar a situação minha sogra e os parentes dela não aceitam a doença. Confesso que muitas vezes pensei em ir embora e deixar tudo para trás, mas vejo que se eu o fizer ela ficará sozinha e sem ninguém. O Amor é a única coisa que tem me segurando no meu casamento.
Ola me chamo Bianca, e sou bipolar, obrigada pelo amor que tens a tua mae, estou passando por um perido dificil , pois quem amo nao consegue enteder o que é isso, ja pedi , implorei que ele lesse sobre o assunto , mas ele acha que DEUS pode me curar e que apenas teno um problema, ele nao ve como uma doença e meu filho me ama e tem a paciencia de um adulto, ja tentei suicidio, duas vezes, e so nao tentei outro por ele, entao obrigada por me fazer ver que existem filhos que amam nesta dimensao, obrigada.
Conviver com um bipolar é adoecedor. Se alguns acham que tomar remédio não adianta, não tomar é ainda pior pois os efeitos colaterais da convivência com um bipolar mata os sentimentos que ainda temos pois é muito cansativo, difícil,perturbador.
As pessoas doentes têm que pensar, quando estão bem, que elas também não têm o direito de acabar com a vida dos que estão ao seu redor.
Minha esposa é bipolar e está me matando, só não a abandono pq ela não tem mais ninguem e minha maldita consciência não me deixa fazer isso. É um inferno constante: internações, diversos tratamentos, brigas, discussões. Em meio a tudo ela engoliu a minha vida, minha personalidade, minhas relações com amigos e parentes, minha carreira, minha felicidade; hoje sou "o cara que cuida da esposa", sou um zumbi sem vida que apenas segue seus dias mecanicamente, o que me levou tb a um tratamento psiquiátrico, que não me adiantou nada até agora.
Quando venho para o trabalho e fico longe dela, é a melhor parte do meu dia e quando começa a se aproximar o momento de encontrá-la tenho começo a me esmuecer.
O pior de tudo é que tenho que chegar em casa e me fazer de feliz e de que está tudo bem, na esperança de que ela, que precisa de rotina e tranquilidade, não entre novamente em uma crise; escolho então ser um fantoche sem vida, representando o papel do marido que ama e procura apagar todos os incêndios para que ela fique bem, o que realmente quero, mas o custo é mto alto.
Penso as vezes em me suicidar, acabariam esses dias de tormenta e mesmo que eu pague o pato, pode ser que valha o preço. Pq ainda não o fiz? Pq novamente minha consciência me impede, pois minha esposa, que só tem a mim, passariaa ser um problema para outras pessoas, como meus pais, que seriam forçados a assumir a bronca.
Mas como vc foi entrar nessa, não sabia que ela era bi-polar?
Não sabia, quando a conheci ela trabalhava e estava a algum tempo sem crises, "normal", então começamos a namorar e por um ano ela esteve bem, morava com seus pais e sem crises, e esconderam, todos (ela os pais e os amigos dela) problema que ela tinha.
Casamos após um ano de namoro e então veio o diabo visitar a minha vida.
Os pais dela morreram em um acidente de carro, me vi então casado com uma órfão, sem parentes próximos (tinha um irmão bem mais velho que havia morrido há uns anos) e com uma doença incurável, que custei a perceber o que era.
Ela perde o emprego, as pessoas se afastam e fico eu em meu calvário. O diabo agora fez em minhas costas sua morada.
Desculpe todo esse peso jogado assim...
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