quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Casamento

Quando casamos, não estamos apenas nos unindo ao homem ou à mulher que melhor se encaixou nos nossos sonhos. Não são apenas os seus belos olhos, o seu jeito de abraçar inteiro, o cheiro por baixo do perfume que nos deixa maluco e aquele sorriso maroto com covinhas que dormem e acordam todos os dias ao nosso lado. Não. Casamos, também, com toda a sua ternura e com todos os seus medos. Casamos com suas alegrias e com suas defesas diante das adversidades. Casamos com sua inteligência e bondade e com as imaturidades e imperfeições. Casamos com sua experiência de vida e esta também implica rejeições, inseguranças e vaidades – como as nossas próprias. Casamos com um jeito de lidar com as pessoas e as adversidades que já existia antes da nossa chegada e continuará assim depois dela. Casamos com as suas grandes generosidades e com os seus egoísmos. Casamos com a suas enormes qualidades e com as suas fraquezas. Casamos com o outro que nos é familiar e amado e, também, com os nossos próprios defeitos colocados em evidência diariamente. É um aprender-desaprender constantes.
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Não há meia pessoa, bem como não há meio-casamento. Não existe meio-gostar – eu gosto disto, mas aquilo ali ó, eu dispenso, vou devolver para minha sogra e ficar só com esta parte de cá, obrigada. Casa-se por inteiro. Ama-se por inteiro ou não é casamento, não é amor. É outra coisa.
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Nas cerimônias, o padre-pastor lê na bíblia: "deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher". Esquecem de dizer que a união não será apenas com "a sua mulher" ou "o seu homem", mas, também, a uma outra família, aos hábitos adquiridos, aos conflitos pré-existentes, ao trabalho, aos amigos, aos colegas de trabalho, aos “ex” e toda uma rede de relações e implicações antecedentes. Acredita-se que o casamento se dará apenas com aquele/aquela belezura que está à sua frente na hora da escolha.
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Muitos casam para satisfazer um desejo, uma necessidade íntima e passam a projetar e esperar do outro aquilo que ele mesmo não deu conta de resolver – as suas carências, a sua falta de coragem, a sua inabilidade diante da vida. Expectativas. Casamentos são feitos de expectativas, muitas vezes impossíveis de serem satisfeitas, pois nós mesmos não sabemos bem o que queremos.
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Casamentos são, antes de tudo, encontros de almas, de corpos, de sentimentos. Divide-se muito mais do que a cama e as contas. Dividem-se coisas caras a nós, como sonhos, desejos, sorrisos, dores, juventude, coragem, insensatez, medos, conquistas. Casar é entregar-se a um abismo desconhecido. Mas, como é doce a queda...

Tela: Gustav Klimt
"Eu te amo calado,
como quem ouve uma sinfonia"

4 comentários:

Simone Oliveira disse...

Gostaria de agradecer sua visita ao Letras.
Qto aos casamentos... posso dizer que há gosto pra tudo...rs...
Casar literalmente é dividir, e dividir absolutamente TUDO, até o antes, o durante e certamente o depois. Vc está coberta de razão no post, pena que muitos não pensam assim.

Adoro "o beijo" de Klimt.
Belo blog.
Beijos,
Simone

santoblognossodecadadia disse...

Estou conhecendo vocês hoje. Uma Santa advogada tbém blogueira que deseja a vocês felicidade. Gostaria de acompanhar essa história, ver como esse blog ficará cheio de coisas bonitas contadas aqui. Acho que todos precisamos e queremos acreditar no amor, não é assim? Por isso falamos tanto dele! Welcome Colecionadores de Palavras! Que bons ventos os tragam sempre.
Axé!
http://santoblognossodecadadia.blogspot.com

Camila Lemos Barata disse...

Amém!

Mariana disse...

È querida... vc bem sabe que sonho este seu post. E gostaria que nao tivesses razao ao dizer que nem todo mundo pensa assim...rs
È lindo e ja passou da hora de eu escrever a respeito tb!
Conte como estás...cmo é este amanhecer?
beijo e saudade